Maçonaria Adonhiramita[1]
Pediram-me para falar da Maçonaria Adonhiramita, e quero começar conscientizando
aos meus AAmad∴
IIr∴
que não vou fazê-lo de forma satisfatória, por que não poderei apresentar ou me
reportar a certidão de nascimento de Rito, com local, data e hora e quem foram
seus pais. Mas os Amados Irmãos já devem estar acostumados a esse tipo de
problema, pelos seus estudos e pesquisas sobre a origem da Maçonaria, em que são
apresentadas teses que vão desde Adão e Eva, Noé, Enoc, Hermes, Eleusis, Orfeu,
Essênios, Salomão, Pitágoras, Numa Pompilio, Pedro o Eremita, Templário, Guildas
Operativas e tantas outras, passando de setenta o seu número. Logicamente, não
se titulavam Maçons os seus membros e sim iniciados, pois a 1ª referência
conhecida, de forma documental do título de Maçom, aparece numa Lei de Controle
de Salário em 1349, na Inglaterra, após a Peste Negra que dizimou mais da metade
da população, sendo citadas diversas profissões, inclusive a de Maçons. Assim,
temos iniciados nos Pequenos Mistérios e Grandes Mistérios, que conforme os
líderes destacados da época e da Região davam os nomes das Escolas. Já ouvimos
falar dos Iniciados Essênios, Arquitetos Dionisianos, Orfeu, Bacantes, etc... A
primeira citação ligada a Maçonaria aparece em 1385 na Revolução dos Camponeses
na Inglaterra, sendo citada como Grande Sociedade, fazendo ligações a
organização e comunicação da Ordem Templária, que havia sido extinta setenta
anos antes. Na Inglaterra e na Escócia, vamos encontrar, portanto os principais
marcos da Maçonaria de forma documental, até porque foi o primeiro país a romper
com o jugo do clero, criando a Igreja Anglicana e assim atenuando de certa forma
as perseguições da Inquisição que durou no mundo de 1163, instituído no Concílio
de Tours pelo Papa Alexandre III, reforçado pelo Papa Inocente IV, em 1542,
quando autoriza oficialmente as torturas físicas como parte dos processos, e que
só foi abolida em 1834 efetivamente, mas oficialmente ela só se extinguiu em
1965, pelo Papa Paulo VI.
Na
Inglaterra, quando da transformação da Maçonaria Operativa para Especulativa em
1717 com a reunião das quatro lojas, já conhecidas “A da Cervejaria do Ganso e
da Grelha, relativa a Igreja de São Paulo”; “A da Cervejaria da Coroa, em Parker
Lane, próximo a Drury Lane”; “A da Taberna da Macieira, em Charles Street, em
Couvent Garden”; “A da Taberna e das Uvas, em Channel Row, em Westminster”, o
grão-mestre George Payne criou uma comissão para juntar todas “Olds Charged”,
presidida pelo Reverendo James Anderson, que em 1723 publicou a Constituição
Maçônica, que hoje conhecemos por “Constituição de Anderson”. Vejam uma Comissão
é incumbida para sequenciar todas as “Antigas Ordenações”, portanto já
existentes, e dar uma forma jurídica concatenada, aos diversos escritos que
norteavam todas as lojas Operativas, até então autônomas. E o que fazem? Alteram
algumas formas da ritualística praticada pelos Maçons Operativos. Queimam papeis
de “Antigas Ordenações”, que poderiam depor contra a “ordenação” que estavam
sequenciando e estabelecem os alicerces do que hoje conhecemos como Maçonaria
Especulativa. E a Constituição de Anderson, ficou conhecida, induzindo numa 1ª
leitura, que ele fosse o seu criador, e não mero coordenador. A mesma
problemática vamos encontrar em relação a “Maçonaria Adonhiramita”. “A Coleção
Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” esta para Luiz Guilheman de San Victor como
Anderson para a Constituição. Todos sabemos que o Barão Theodoro de TSCHOUDY,
foi o reformulador do Rito Adonhiramita, que já existia anterior a 1616 com 7
Graus, como o afirma o Ilustre escritor Maçom Escocês, Oscar Argollo, no início
do Século XX em sua Obra “O Segredo da Maçonaria”, que estou distribuindo aos
AAm∴IIr∴,
para posterior leitura. Ele cita que em 1248 a Catedral de Colônia foi
construída, pelos Operativos, e a esse tempo o ritual conhecido era usado o do
Egito e portanto o primitivo Adonhiramita. Ainda, em relação à origem do Rito
Adonhiramita gostaria de citar o enfoque do nosso grande Secretário Adjunto de
Orientação Ritualística do GOB, o nosso Amad∴
Ir∴
Ademir Soares da Costa no Seminário
no Rio de Janeiro do G∴O∴E∴R∴J∴,
que coloca a publicação do Abade LUIZ TRAVENOL – com o nome LEONARDO GABANON –
“CATHECISM DE FRAN-MAÇON”, ou de Secret de Franc-Maçon em 1744 – 1ª Edição –
questionando se o Arquiteto do Templo é Hiram ou Adonhiram. Provando de forma
documental, esta publicação, que havendo questionamento em Livro, o Rito já
existia antes. E considerando que o Barão de TSCHOUDY nasceu em 1724 ou 1730,
portanto teria apenas 14 ou 20 anos, não foi o seu criador, menos ainda Louis
Guilheman de San Victor, que era mais novo. Podemos então admiti-los, apenas
como reformadores. Vamos a essa história: Ela começa como foi citado
anteriormente em 1717 com a criação da Grande Loja da Inglaterra, e as
introduções Ritualísticas feitas pela Comissão, alterando o Ritual dos
Operativos. A grande revolução era que as quatro Lojas se reuniram para dizer,
“que de hoje em diante não seremos mais operativos e abrigaremos qualquer um
proposto, que seja aprovado e passe pela iniciação. “Só que as mudanças, as
retiradas e inclusões, não agradaram as lojas autônomas, que protestaram e em
1733 formaram outra potência, a Grande Loja do regime Escocês Antigo, chamando a
outra Grande Loja de Modernos, pelas modificações”. Mais tarde, resolveram fazer
a unificação e criaram em 1758 uma comissão para normalizar a ritualística, que
só se completou em 1813, quase 50 anos depois, dando origem com a fusão, a
Grande Loja Unida da Inglaterra. É fácil imaginar que os modos diferentes de
cada loja trabalhar, criou escolas. E adicionando, retirando ou fundindo, vamos
encontrar cada loja trabalhando de uma maneira ritualística diferente, ganhando
o nome da Loja que copiava. Assim temos o Rito ou Ordem de Heredon, (Kilwinning)
em 1758 na criação do Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, que
tentando encontrar uma solução para a multiplicidade de formas ritualísticas,
criam Comissões, que apresentaram as conclusões que geraram o RITO DA PERFEIÇÃO
ou ESCOCÊS com 25 Graus (5 energias solares x 5 pontos da perfeição), que mais
tarde em 1801 acrescido de mais 8 Graus tornou-se o Rito Escocês Antigo e Aceito
de 33 Graus. O RITO DE NAMUR com 33 Graus (reportando-se as 33 vértebras a
subir), que não vingou. O RITO MODERNO ou Francês com 7 Graus (os 7 Chakras
principais). O RITO ADONHIRAMITA com 12 Graus e sua correlação com o Zodíaco e
que mais tarde com as publicações de Louis Guilleman de San Victor de uma
tradução dos Cavaleiros Noaquitas que fizera do Alemão, passa a ser o 13º Grau.
TSCHOUDY não aceitando a fórmula HIRAM prevalecente, sai do Capítulo e em 1762
forma “O Conselho do Imperador do Oriente” que tem como presidente Pirlet, que o
incube de redigir os rituais do Capítulo, que ele ordena em 15 Graus e cria o
Rito do Cavaleiro de Santo André, síntese filosófica, que solicita que jamais
seja publicado, ficando como Arcano do Capítulo. Após a sua morte em 28 de maio
de 1769, o Capítulo desrespeitando o seu pedido, faz a publicação do Santo André
com diversos rituais que ele reformulara em Comissão, entre eles o Kadosch, que
só foi aceito na hierarquia Maçônica, depois da sua reformulação, ganhando o
Grau 30 do Escocês Antigo e Aceito, ficando Santo André no Grau 29.
Essa reforma se expande
pela Europa e através de Portugal a Maçonaria Adonhiramita chega ao Brasil de
forma regular em 15 de novembro de 1815, com a fundação da Loja Comércio e
Artes, que passou a congregar as mais fortes lideranças políticas da época, sob
os auspícios do Grande Oriente Lusitano. Em 30/03/1818, D. João VI, em
consequência da solicitação feita pelos cinco Regentes do reino de Portugal,
decreta o fechamento das Lojas Maçônicas no Brasil e Portugal devido ao
envolvimento delas na Revolução Pernambucana de 1817 e do Grão-Mestre de
Portugal Gomes Freire na Revolução Portuguesa. A Família Real retorna a Portugal
em 1821 e a Loja Comércio e Artes “da Idade do Ouro” se reinstala no Rito
Adonhiramita, conforme Ata de 2 julho de 1821. Ficou deliberado nesta data, o
seu desdobramento com a finalidade de fundar e instalar as Lojas Esperança de
Niterói e União e Tranquilidade, compondo dessa maneira o tripé inicial, sobre o
qual se estalaria em 17 de junho de 1822 o Grande Oriente Brasílico. Os quadros
das Lojas são formados por sorteios entre os membros da Loja mãe Comércio e
Arte. É importante que se esclareça aqui, que as três Lojas reunidas como Grande
Oriente, após fundação, resolveram colocar na Constituição do Grande Oriente
Brasílico o Rito Moderno para facilitar o reconhecimento da Inglaterra,
desvinculando-se, assim do Grande Oriente de Portugal, Brasil e Algarves, mas
continuou trabalhando no Rito Adonhiramita até o seu fechamento em 21 de outubro
de 1821, por ordem do Grão-Mestre Pedro I, e depois em 25 de outubro de 1821
como Imperador do Brasil.
Como podem ser confirmados
lendo as Atas nºs 5 e 10 do GOB, quando essas três Lojas se reuniam como GOB, se
autodenominando de “Grande Loja”. Todos já conhecem as lutas políticas entre
Gonçalves Ledo e José Bonifácio que resultaram no exílio de ambos. Mas a parte
bonita dessa história é quando D. Pedro I chama José Bonifácio para ser o tutor
dos seus quatro filhos, e o Grande Oriente do Brasil reabre em 23 de novembro de
1831, voltando a ter José Bonifácio com Grão-Mestre, trabalhando no Rito
Moderno, e temos o discurso de posse, que ficou célebre, escrito por Gonçalves
Ledo e lido integralmente por José Bonifácio, selando a superação de ambos pela
espírito patriótico que os une fraternalmente novamente, mas, já tendo que
administrar uma divisão Maçônica, pois fora criado em 24 de junho de 1831 o
Grande Oriente Brasileiro do Passeio. Em 1832 é fundado o Supremo Conselho do
Rito Escocês por Montezuma, passando a predominar na formação e transformação de
Lojas. O Rito Adonhiramita sofreu certo abandono no Grande Oriente do Brasil,
durante esse período, só revitalizando-se em 1833, quando foi fundada a loja
“Sabedoria e Beneficência”, de Niterói, que abateu colunas em 1850. em 1839,
surgiu a 2ª Loja “Firmeza e União”, no mesmo ano em que o Grande Oriente do
Brasil instituiu o Grande Colégio dos Ritos Azuis, incluindo, Adonhiramita. Em
1863 houve uma dissidência no Grande Oriente do Brasil liderada por Joaquim
Saldanha Marinho, sendo criado o Grande Oriente do Vale dos Beneditinos, que deu
grande importância ao Rito Adonhiramita, chegando a ter mais Lojas do Rito, que
o Grande Oriente do Brasil – cinco contra três. Depois foi fundada em 1869 a
Loja “Aliança” e em 1872 a Loja Redempção, perfazendo um total de três Lojas, o
que possibilitou a criação em 24 de abril de 1873, pelo Decreto nº 23 do Grande
Oriente do Brasil, do “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noachitas”.
Em 1929 Mário Bhering,
Grão-Mestre em exercício perde a eleição no Grande Oriente do Brasil e faz
prevalecer a Orientação do Congresso de Lausane de 1875 que sugeria a separação
dos Graus Filosóficos dos Simbólicos e funda a Grande Loja, levando Patente do
Supremo Conselho de Montezuma consigo, deixando o Supremo Conselho do Grande
Oriente do Brasil na irregularidade. Gostaria apenas de comentar, que as Lojas
Simbólicas criadas por Mário Bhering, tornaram-se irregulares pela fórmula do
próprio Congresso de Lausane, que não quer interferência do simbolismo no
filosófico e vice-versa. Outro detalhe, é que o Rito Escocês desenvolvido na
Grande Loja, recém-criada por Mario Bhering, foi o retificado por TSCHOUDY e
conhecido como Rito Escocês Retificado, com gravata branca, tendo duas grandes
modificações: HIRAM é o Mestre Arquiteto e o lado esquerdo é o 1º a ser
trabalhado.
Em 1951, o Grande Oriente
do Brasil tornou-se Potência Simbólica, governando apenas os três primeiros
Graus, deixando os Altos Graus para Obediências dos Ritos. O Grande Capítulo do
Rito organizou e a partir de 1953 passou a denominar-se “Muito Poderoso e
Sublime Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil”, e continuou fundando
Lojas, que em dois ou três anos transformava-se em Escocês pela atração dos 33º.
Então em 1973 ao fazer 100 anos da criação do grande Capítulo Noaquita pelo GOB,
resolveram fazer uma grande modificação na estrutura administrativa e da
graduação do Rito, já que o Rito ficara sendo apenas no Brasil. E em 2 de junho
de 1973 o Sublime Grande Capítulo passou a se chamar “EXCELSO CONSELHO DA
MAÇONARIA ADONHIRAMITA” e o Grande Inspetor AYLTON DE MENEZES assumiu o título
de Grande Patriarca Regente e os altos graus foram aumentados de 13 para 33 como
REAA, incorporando os rituais reformados por TSCHOUDY como o houvera feito o
Rito Escocês.
Neste momento, 1973, por outra cisão em eleição no GOB, surgiram os Grandes
Orientes Independentes e há intervenção da Polícia Militar no Palácio Lavradio
do Rio de Janeiro (o Poder Central – GOB – era no Palácio, que foi fechado). O
Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita entra na Justiça como Pater-Família
do Grande Oriente do Brasil, requerendo e obtendo o fiel depositário do Palácio,
reabrindo suas atividades, sob a custódia dos AAm∴
IIr∴
Adonhiramitas
que em escala se revezaram por quase um ano, 24 horas por dia, até a definição
da lide.
Quando da mudança da
Maçonaria Adonhiramita do Grande Oriente do Brasil, de 13 Graus para 33 Graus,
existiam em funcionamento, 33 Lojas em 02/06/1973. Hoje, 30 anos após, temos 221
Lojas, um aumento de 188 Lojas, ratificando o acerto da decisão.
Finalmente o EXCELSO CONSELHO DA MAÇONARIA ADONHIRAMITA DECLARA E PROCLAMA não
há Rito melhor nem pior que o outro apenas metodologias diferentes que visam o
mesmo fim que é a melhoria do Homem, mostrando o caminho para iluminação e
consequentemente a melhoria da Humanidade. Nós Adonhiramitas começamos
trabalhando o lado direito, Grau 1, enquanto os Escoceses trabalham primeiro o
lado esquerdo. Depois o Adonhiramita trabalha o esquerdo Grau 2 e os Escoceses
trabalham o direito, mas ao final os dois trabalham o meio. Maçonaria é Amor e
toda Filosofia Maçônica nos indica o cultivo das virtudes, que é o grande
caminho a ser trilhado e a Maçonaria Adonhiramita nos obriga no tratamento de
AAm∴
IIr∴
a repetição
didática dessa energia, que impregnado nosso inconsciente, enche cada célula do
nosso bilionário ser, para que elas a possam vibrar e espargir Amor a todo o
semelhante.
Domingos Fernandes Dias,
MI 98.194
Bibliografia:
Boletim do
GOB- jan/fev 1902
Boletim do
GOB – junho de 1923 a outubro de 1923
Atas do
Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita
O Segredo da
Maçonaria – Autor Oscar Argollo
História da
Maçonaria – Findel
História da
Maçonaria – P. Naudan
Curso
Completo de Maçonaria – Pierre –Gérard Vassal